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Descansando ao por do sol, no Rio Abobral. |
Desde a mais tenra infância, fui envolvido pela fascinante aura dos crocodilianos. Criaturas que carregam consigo os ecos distantes de um passado ancestral da Terra.
Com suas mandíbulas formidáveis e olhos que parecem guardar segredos milenares sob as águas, eles desafiam o tempo e a evolução. Levou anos até que eu pudesse, finalmente, mergulhar no encanto desses seres em seu habitat selvagem. E entre todos, o imponente jacaré-do-pantanal (Cayman yacare) se destacava. O contato direto com essas criaturas transcendia todas as expectativas.
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Desjejum de piraputanga. |
Embora não gigantes em estatura, com seus modestos 2.5 metros, eles ainda assim evocavam um passado distante com uma força indomável. Por horas a fio, eu me encontrava à beira de rios e lagos, capturando em imagens a essência singular desses seres, enquanto era cativado pela sua magnificência inigualável. Ele é o espelho vivo de um passado pré-histórico, um elo que conecta o presente ao mundo antigo. Com olhos que brilham como gemas sob a luz do luar, ele observa seu reino com uma sabedoria silenciosa, herdada de milênios de existência.
Sua armadura é feita de osteodermas (placas ósseas) que contam histórias de sobrevivência, cada marca uma batalha, cada cicatriz um triunfo. Seu corpo robusto, adornado com faixas amareladas, é uma tapeçaria tecida pela própria natureza, um manto digno de um rei das águas.
O jacaré-do-pantanal é um mestre da paciência, um estrategista que conhece cada centímetro de seu território. Ele desliza silenciosamente pelas águas turvas, guiado pelo instinto afiado, pronto para emergir com a precisão de um relâmpago e capturar sua presa.
Mas ele também é um construtor, um arquiteto da vida. Dentro de ninhos cuidadosamente preparados na mata, ele deposita suas esperanças e sonhos na forma de ovos, que irão eclodir e dar continuidade à sua linhagem gloriosa.
O jacaré-do-pantanal é um pilar vital do ecossistema. Suas fezes nutrem os peixes, e sua presença mantém o equilíbrio da vida aquática. Ele é um guardião da biodiversidade, um símbolo da força e resiliência da natureza.
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Grande exemplar avistado na confluência dos rios Vermelho e Miranda, MS. |
E assim, enquanto o mundo ao redor muda, o jacaré-do-pantanal permanece constante, um testemunho da eternidade da vida. Ele é o espírito do Pantanal, a essência selvagem que resiste ao tempo, um lembrete de que, mesmo nas profundezas das águas, há uma beleza arrebatadora e épica que sempre prevalecerá.
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